segunda-feira, 16 de maio de 2011

Anjos e Demônios



- Traga-me whisky com gelo, fazendo o favor.
Disse o rapaz ao olhar para o espelho indiretamente. Engomado e de mangas dobradas, usava um grande topete. Felicidade estampada: O sexo comprado fazia-o sorrir. Logo, o mordomo chegou com whisky e uma longa conversa se iniciou, não para com o mordomo, sim para consigo mesmo.
A alegria antiga se media a brincadeira de peão, girava fixamente até seu fim, ante seu desejo, percebeu que não queria ser como o brinquedo preferido, resolveu sair do lugar mas sem saber como ou por que.
Levava o sexo como lema de vida até o último gole de whisky, todos os dias era assim, por que há de ser diferente nesta noite? Apenas pelo vento frio lá fora ou pela solidão que causava dentro de si? O bondoso rapaz sabia o quanto amava verdadeiramente cada uma de suas mulheres, cujas, nunca estavam presentes em sua cama na hora de adormecer, vai ver só camuflou o amor chamando-o de sexo pago, pois era assim que via suas transas.
Tantas mulheres e tanto sofrimento largados sobre os lençóis de cada cômodo da casa "Um dia cansa ser segunda opção" lembrou-se do que ouvira na última semana de uma affair. Acendeu o charuto que estava sobre a mesa, pousou o pé direito sobre sua poltrona e apoiou-se em pensamentos.
O peão lhe veio a cabeça novamente, pensou no universo e tentou se focar em apenas uma mulher ou amor, mal-sucedido, percebeu que mulheres o consumiam.
O rapaz estava entre anjos e demônios, a vontade de corrigir os erros ou apenas deixar de comete-los continuava a existir em seu interior consciente mas não era suficiente para evitar transas casuais, pois relembrando, é de seu costume camuflar amor com o sexo.
Maldita seja a ética que delimitou na cabeça, coitado! Há de se culpar por amar todas as mulheres por igual.